Dom Aldo publica Diretrizes Pastorais do Sacramento da Reconciliação

Dom-Aldo.jpg

Durante a Quaresma, sobretudo à proximidade da Semana Santa, os fiéis procuram pelo Sacramento da Reconciliação, cujo contexto situa-se na conversão e no compromisso cristão. Nossas Paróquias abrangem grandes extensões territoriais e populacionais. Muitos fiéis não encontram abundância de presbíteros com tempo disponível para atendê-los dignamente. Entanto, os fiéis têm direito de solicitar aos presbíteros da Igreja o Sacramento da Reconciliação (Cânon 964 CDC).

– No presente “Ano da Misericórdia”, próximos à Semana Santa e ao Tríduo Pascal, relembro a possibilidade de proceder às Celebrações Penitenciais, seguidas ou não, do atendimento de confissão auricular e de absolvição individual.

– Os irmãos presbíteros organizem a celebração do Sacramento da Reconciliação, prevendo horários de atendimentos de confissões individuais, não obstante a exiguidade de disponibilidade e de tempo.

A celebração do Sacramento da Reconciliação e seus módulos rituais
(cf. Cânones NN. 960-964)

1ª. Reconciliação e absolvição individual, valorizando o encontro personalizado como forma única e normativa do Sacramento, sobretudo para os penitentes que se encontram em estado de pecado grave (Cânon 960 CDC; Reconciliatio et Poenitentia, n. 17; Catecismo da Igreja Católica, n. 1284, 1422 ss).

2ª. Celebração Penitencial seguida da reconciliação de vários penitentes, valorizando a confissão e a absolvição individual para quem se achar necessitado.

3ª. Reconciliação de vários penitentes com a confissão comunitária e absolvição geral, aplicada excepcionalmente em circunstâncias previstas nos Cânones 961-963 do CDC, ou seja, na imprevisibilidade e impossibilidade de tempo e de espaço hábil para acolher singularmente os penitentes, pela forma habitual da confissão auricular.

Essa forma excepcional não se identifica ou não se confunde como forma opcional, introduzindo abusos, banalizando o caráter do Sacramento da Reconciliação. Não cabe ao bispo, ao presbítero ou ao penitente optar por critérios subjetivos.

Quanto à absolvição comunitária

A Igreja estabelece (Cf. Cânones 961 § 1; 962 e 963 CDC) que:

a) Não se pode dar a absolvição a vários penitentes ao mesmo tempo sem a respectiva confissão individual, a não ser quando haja grave necessidade;

b) Por causa do número de penitentes, não há número suficiente de confessores para ouvir as confissões de cada um (…), de tal modo que, sem culpa própria, os penitentes sejam forçados a permanecer muito tempo sem a graça sacramental ou sem a Comunhão Eucarística.

c) No caso de absolvição sacramental, dada de forma geral, é indispensável que os penitentes estejam convenientemente dispostos, orientados ao arrependimento sincero e ao propósito firme de não incorrerem na impenitência, incluindo a reparação de danos e escândalos causados e, enfim, a procurarem a confissão individual no momento oportuno.

– A absolvição geral sugere uma imprevisibilidade, não uma estratégia oportunista.

d) Àqueles a quem são perdoados pecados graves, mediante a absolvição comunitária, sejam orientados a procurar a confissão individual (Cf. C. 963 do CDC).

Cabe ao bispo e ao seu presbitério a obrigação de facilitar aos fiéis a prática da reconciliação, com a confissão individual realizada em sua integridade (RP, n. 33).

Condições para a recepção frutuosa do Sacramento da Reconciliação
No Sacramento da Penitência, os fiéis, sinceramente arrependidos, e com o propósito de conversão e compromisso cristão, confessam seus pecados ao legítimo ministro e, mediante a absolvição, alcançam de Deus o perdão dos pecados cometidos após o Batismo, ao tempo em que se reconciliam com a Igreja à qual feriram pelo pecado (cf. Cânon 959 do CDC).

São partes essenciais vinculadas no Sacramento:

a) Examinar a consciência, considerando nossas fraquezas e infidelidades ante o critério supremo do Amor de Deus por nós e pela humanidade. Os Mandamentos e as bem aventuranças (Mt 5, 1 ss) referem-se, em síntese, ao Amor de Deus e ao próximo.

b) A contrição: o arrependimento vinculado ao propósito de conversão. Trata-se, pois, de um processo permanente de conversão, contando com a graça de Deus (Cf. Mc 1,15). A contrição não se confunde com remorso ou complexo de culpa.

c) A confissão da misericórdia de Deus ao se acusar dos pecados cometidos ao legítimo confessor; junto à vontade de reparar o mal cometido (satisfação) como conta a parábola do pai misericordioso (Cf. Lc 15, 11-31; Fil. 3,13; cf. Cânon 981 do CDC).

d) A satisfação como busca de conversão, expressando a satisfação do arrependimento, ou seja, a mudança de vida e a reparação do mal causado, contando com a graça de Deus para perseverar na prática das boas obras.

e) A absolvição dada pelo confessor é acolhida com amor e possui dupla dimensão: o perdão dos pecados cometidos após o batismo e a reconciliação com Deus, com a Igreja e consigo mesmo.

Dom Aldo di Cillo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba

Assessoria de Imprensa e Comunicação da Arquidiocese da Paraíba

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Top