Ano Nacional do Laicato

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Por Glauber Inocêncio
Pastoral dos Coroinhas

A Igreja no Brasil iniciou no último dia 26 de novembro de 2017, Solenidade de Cristo Rei, o ”Ano Nacional do Laicato”, que seguirá até 25 de novembro de 2018. O tema proposto para reflexão nas comunidades foi: “Cristãos leigos e leigas, sujeitos na ‘Igreja em saída’, a serviço do Reino” e o lema “Sal da Terra e Luz do mundo” (Mt 5, 130-14).
Mas afinal de contas, o que Igreja quer refletir com este ano temático?
O documento 105 da CNBB já na sua introdução nos diz que o laicato é como um todo um “verdadeiro sujeito eclesial”, ou seja, cada cristão leigo e leiga é chamado a ser um sujeito missionário para atuar não apenas na Igreja, no interior dos templos, mas principalmente, atuar no mundo. O cristão leigo é chamado a ser a voz da Igreja, profeta do Reino no meio da sociedade, testemunhando com a própria vida a vocação adquirida pelo Batismo de ser neste mundo sal e luz em prol do reino de Deus.
Em consonância com o que exprime o Concílio Vaticano II acerca dos leigos, disse o papa Paulo VI“A sua primeira e imediata tarefa [dos leigos] não é a instituição e o desenvolvimento da comunidade eclesial – esse é o papel específico dos pastores – mas sim […] o vasto e complicado mundo da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos mass media e, ainda, outras realidades abertas à evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento”
Contudo, somado à contribuição de caráter secular, e já em consonância com o Documento de Aparecida, a Igreja afirma que “os leigos também são chamados a participação da ação pastoral da Igreja” De tal modo que também o Papa Francisco na Exortação Apostólica EvangeliiGaudium, diz que: “A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço está uma minoria: os ministros ordenados. Cresceu a consciência da identidade e da missão dos leigos na Igreja. Embora não suficiente, pode-se contar com numeroso laicato, dotado de um arraigado sentido de comunidade e uma grande fidelidade ao compromisso da caridade, da catequese, da celebração da fé” .
Com esta proposta do Ano do Laicato, a Igreja quer fortalecer e conscientizar o papel do leigo e da leiga no mundo, quer torna-los protagonistas de uma Igreja em Saída, missionária por vocação, samaritana por amor. Este ano deve ser em nossas paróquias, um tempo para animar os cristãos leigos a compreenderem sua vocação e missão de sujeitos eclesiais, discípulos e missionários, nas diversas realidades em que estão inseridos, reconhecendo o valor de seus trabalhos na Igreja e no Mundo.
Este ano do laicato deve ser um tempo também de desenvolver ou reavivar o senso missionário em nossos grupos, pastorais e movimentos a fim de alcançar as periferias existenciaisde nossas casas, bairros, comunidades, cidades. É tempo de intensificar a oração e a formação do Povo de Deus, de mostrar-lhe a importância de seu papel na sociedade de modo que possa modificar o cenário constatado pelo Papa Emérito Bento XVI quando de sua visita à Cidade de Aparecida por ocasião do V CELAM: “Sem dúvida, somos interpelados pela “ausência notável” de presenças e vozes significativas e coerentes de líderes católicos nos âmbitos políticos, acadêmicos e de comunicação na América Latina. Como é possível que, em um continente de grande maioria de batizados, em que o Evangelho está ainda muito enraizado na vida e cultura dos povos e nações, se dê esse déficit de presença?
O ano do laicato traz luzes sobre a urgente necessidade do cristão leigo assumir seu papel na sociedade bem como no âmbito eclesial, esclarecer mais uma vez que o leigo não pode substituir o pastor, assim como o pastor não pode substituir os leigos no que lhes compete por missão e vocação. Somente assim, cada um assumindo conscientemente a missão que lhe foi confiada, leigos e ministros ordenados, é que se pode caminhar ruma a uma nova evangelização.
Convido, portanto, a todos, à leitura e o estudo do Documento 105 da CNBB tanto individual quanto comunitariamente. Convido a todos, a sairmos da inércia de nosso comodismo a fim de que avancemos rumo a uma Igreja mais parecida com o sonho do Papa Francisco.
Queira Deus que, nossa Igreja, guiada por seus pastores, fermentada por seus leigos e leigas e fortalecida pelas luzes do Espírito Divino alcance estes objetivos o mais rápido possível.

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1 Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade, Doc 105. CNBB.
2 EvangeliiNuntiandi, n.70.

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3 Documento de Aparecida, n. 211
4 EvangeliiGaudium, n. 102.

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