Igreja Nossa Senhora do Rosário

1923 – O começo
No ano de 1911 os franciscanos iniciaram a atividade apostólica na Paraíba. A missão nos bairros de Jaguaribe e Cruz das Armas, onde morava muita gente pobre, tem origem no ano de 1923 quando a Paróquia Nossa Senhora de Lourdes já não podia atender suficientemente as necessidades que iam surgindo. Então o vigário Monsenhor Manoel Almeida recorreu ao auxílio dos franciscanos. O Arcebispo Dom Adauto e a Direção da Província acolheram a sugestão. A atividade franciscana em Jaguaribe teve como primeiro cura Frei Joaquim Benke. Ele construiu capela provisória que até 1928 atendeu as necessidades dos fiéis que recebiam os santos sacramentos, traziam os filhos para batismo e as crianças para o catecismo.

Antes, havia uma Igreja do Rosário no centro da cidade mas foi demolida a pedido da prefeitura da capital para fins urbanísticos. Quem relata a origem de nossa Paróquia é o Frei Hugo Fragoso, ofm, em texto reproduzido no livro “Frei Martinho – Uma herança viva da fé cristã – coletânea publicada nos 50 anos da morte do religioso e reeditada em 2005, nos 75 anos do falecimento do franciscano que seguiu fielmente a maneira como viveu São Francisco de Assis.

A nova região (Jaguaribe e Cruz das Armas), se desmembrou da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes no dia 1º de dezembro de 1923 e foi entregue à direção dos franciscanos.

Surge a Paróquia do Rosário

No ano de 1929, aos 28 de setembro, tem início canonicamente, na qualidade de paróquia, a nova freguesia de Nossa Senhora do Rosário. Porém, o início da construção da igreja demorou alguns anos e somente foi concluída na década de 1940 porque as dificuldades financeiras eram muitas e o convento e o grande templo consumiram muitos recursos. O terreno foi comprado com grande parte dos 80 contos de réis, dinheiro da indenização da prefeitura pela demolição da igreja do Rosário, no centro da cidade. O terreno compreendia parte das ruas 1º de Maio, Vasco da Gama, 24 de Maio e Vera Cruz.

A construção do convento e da grande Igreja se deu pela necessidade da transferência da atividade dos frades da Igreja São Pedro Gonçalves,(Centro) para a Periferia da Paraíba (João Pessoa). Nessa época Jaguaribe era considerado bairro periférico. E coube ao então Definidor da Província, Frei Martinho, esse trabalho, tarefa bem difícil por conta das dificuldades porque a província não dispunha de meios para ajudar.

As campanhas para a construção e a fé de Frei Martinho

As pedras para a construção do convento e da igreja do Rosário foram pedidas em várias cidades, nas paróquias, no comércio. Frei Martinho se dirigia às feiras, ao povo simples e pedia “pelo amor de Deus”. Seu fiel auxiliar, Frei Amadeu, bateu nas portas dos amigos. Os donativos vinham através da campanha do tostão, festa populares, festa da telha, leilões, sorteios, rifas e outros meios.

O livro Frei Martinho – Uma herança viva da fé cristã – registra ainda que as freqüentes situações precárias a que se chegava, revelaram a confiança filial de Frei Martinho na divina Providência. “Teve a confiança de um santo”, assim diziam seus confrades. “Sei, ó Pai, que muitas vezes me escutastes”, rezava ele sempre. Quando não havia reserva na caixa dirigia-se, de braços abertos, à Rainha do Rosário, cujo santuário estava construído; a São José, Santo Antonio e às almas do purgatório. Na última hora sempre recebia soma necessária, Deus sabe de onde e de quem”, diz  o texto da coletânea sobre o franciscano que viveu na Paraíba de 1911 a 1930. Uma circular do Arcebispo D. Adauto ajudou nas coletas que foram estendidas às Dioceses de Natal, Crato e Nazaré. O lançamento da pedra fundamental foi a 29 de junho de 1927, com bênção de D. Adauto, com a presença de autoridades, do clero e grande multidão.

Ajudaram Frei Martinho na construção da nova igreja Frei Amadeu Laumann e Frei José Jost, marceneiro, dentre outros. No dia 1º de novembro de 1928, pouco mais de um ano após a bênção da 1ª pedra, já se podia celebrar os ofícios divinos numa parte improvisada da nova construção.  Aos 2 de fevereiro de 1929 os frades se transferiram do convento de São Pedro Gonçalves para Nossa Senhora do Rosário. Antes, os franciscanos haviam alugado uma casa onde ficavam durante o dia.

Nos conta Frei Hugo Fragoso que “a primeira comunidade dessa nova residência do Rosário era formada por Frei Martinho Jansweid, Frei Fabiano Grundling, Frei Amadeu Laumann e Frei José Jost, posteriormente chegou Frei Firmino Thien”.

Morte de Frei Martinho

Frei Martinho pressentiu a sua morte: que devia ir embora, dizia, sem completar a construção da Igreja do Rosário. Faleceu na capital paraibana no dia 28 de julho de 1930, mesmo dia em que chegava à cidade o corpo do presidente da Paraíba, João Pessoa, assassinado no Recife. Em 1º de dezembro de 1935 foi inaugurada a cripta com a lousa sepulcral do grande missionário Frei Martinho Jansweid.

Iniciada por Frei Martinho, a Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário, teve sua construção concluída por Frei Amadeu na década de 1940. A posse do Arcebispo Dom José Maria Pires, no ano de 1966, foi celebrada na Igreja do Rosário.

Construção sobre revés

Pouco mais de um ano após a morte de Frei Martinho, a construção da igreja do Rosário sofreu duro revés quando desabou parte da colunada e da capela-mor. Para continuar as obras foi preciso demolir várias colunas, por não oferecerem a consistência necessária. Esse fato, aliado às dificuldades financeiras, retardou muito o ritmo da construção por isso demorou vários anos. O acabamento final ocorreu na década de quarenta, com exceção da torre e o altar definitivo.

 

PASCOM – Pastoral da Comunicação

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